RESENHA: Animal Collective – Merriweather Post Pavillion

18 mar

Aqueles que já ouviram Animal Collective estão divididos entre o amor e o ódio, portanto, mesmo que odeie a banda, peço ao menos que dê uma chance ao novo CD, pois se acessibilidade era o problema, adianto que esse não só é de longe o mais digestível do grupo, como um dos melhores discos dos últimos anos.

Animal Collective é uma banda do que podemos chamar de “música experimental”. É aquela que às vezes não faz o menor sentido, tanto as letras quanto o ritmo, ou melhor, “fogem do comum”. Mas aí que está a graça. Cheia de synths, teclados, vocais sobrepostos, refrões grudentos e melodias de fácil digestão, podemos afirmar que por mais acessível que esteja, o novo álbum ainda mantém as características originais da banda, e tem tudo para conquistar novos fãs. Conhecidos por fazer música para os “amantes de música”, o grupo não deixa nenhum detalhe de fora, e cada efeito é meticulosamente programado, com uma produção de primeira linha. Cada música tem sua própria individualidade e sonoridade, e nunca soam iguais. As letras, dissecam nossas vidas e sentimentos em geral, e tratam de diversos assuntos, como transtorno bipolar, individualidade, materialismo, amor, raiva, morte, e até masturbação! Mas grande parte das letras são subjetivas, então fica tudo à sua interpretação. Desde o começo, com o primeiro single “My Girls”, até a última música, a deliciosa “BrotherSport”, que parece um “Vampire Weekend”  do futuro, o CD não perde o ritmo. A última, já considerada o hino de celebração à amizade e alegria de 2009, começa com um sample que parece ter saído de uma escola de samba brasileira, e vai evoluindo, adicionando tambores, repetições, elementos eletrônicos, psicodélicos e vocais sobrepostos, até chegar ao ápice, onde toma um rumo completamente diferente. A letra, feita para ajudar o irmão mais novo do vocalista a lidar com a morte do pai, é também aberta à interpretação, e pode falar sobre liberdade de expressão, amizade, ajuda ao próximo, etc. Só ouvindo para enteder…

 

O CD, no entanto, pode soar estranho e não agradar de início para quem não conhece a banda, mas uma dica: quanto maior o tempo investido, maior o retorno mais tarde. Como Panda Bear sempre fala, à respeito de sua música, tem uma hora que tudo clica, e quando menos espera, as coisas não apenas começam a fazer sentido, mas se tornam óbvias. Por isso, recomendo escutar os singles citados acima de início, e depois ir para as também ótimas “Summertime Clothes”, “Taste”, “Blueish”, e “Lion In A Comma”, aliás, sobre um transtono bipolar na minha interpretação. A grande ironia, no entanto, foi ouvir um CD repleto de ritmos eletrônicos, mas ao mesmo tempo, um dos mais orgânicos que já escutei. Ouça.

9,4

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